quarta-feira, 11 de março de 2009

Megan Fox em Duas Adaptações de Quadrinhos!


A beldade de Transformers, Megan Fox, deve mesmo assumir o papel principal da adaptação para os quadrinhos de Fathom, história do falecido desenhista Michael Turner. A hipótese havia sido cogitada pela moça pela primeira vez, como fã, ao site Omelete em 2007. Em setembro passado, tornou-se um pouco mais próxima quando o projeto passou para a Fox Atomic.

Agora, segundo o Hollywood Reporter, a atriz está ajudando na adaptação e trabalhando ao lado do roteirista Jordan Mechner, conhecido pelo game Prince of Persia. Na história, Aspen é uma jovem encontrada no navio Paradise, que aporta misteriosamente em San Diego dez anos depois de desaparecer por completo. Ela então é adotada por um oficial naval, Capitão Matthews, e cresce ótima nadadora e se especializa em biologia marinha. Mas o passado de Aspen é um mistério, e também a chave para o equilíbrio de dois mundos, o da superfície e o submarino. O longa ainda não tem diretor ou cronograma.

Mas essa não é a única adaptação de HQs que pode contar com Fox. Ela está em negociações finais para um papel em Jonah Hex ao lado de Josh Brolin e John Malkovich. A atriz viverá Leila, uma bela pistoleira e interesse romântico de Hex (Brolin), um desfigurado caçador de recompensas em busca de um mestre do vodu (Malkovich) que pretende criar um exército de zumbis para reverter a guerra civil.

Jimmy Hayward (Horton e o Mundo dos Quem) dirige para a Warner Bros e o filme chega aos cinemas em 6 de agosto de 2010.


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[Bilheteria USA]: Watchmen - O Filme


Watchmen - O Filme, a aguardada adaptação para as telas da graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons, estreou sexta-feira mundialmente. Nos Estados Unidos, o filme abriu com sucesso - sessões e exibições à meia-noite totalmente lotadas na sexta-feira. Foram 25 milhões de dólares só no primeiro dia. No sábado e domingo, porém, a empolgação foi refreada e as estimativas de analistas, que previam algo próximo a 70 milhões de dólares para o filme, não se cumpriram. Watchmen encerrou seu primeiro fim de semana com 55 milhões de dólares, valor 15 milhões inferior ao que 300, filme anterior do diretor Zack Snyder, obteve em 2007. O resultado pode ser problemático, já que se espera que Watchmen - pela complexidade e críticas e boca-a-boca inconclusivos - tenha uma queda acentuada em sua segunda semana.

Confira abaixo o ranking (valores em milhões de dólares):

>> Pos. Filme --------------------------------- Total
1 Watchmen - O Filme ..........................$55,65
2 Tyler Perry's Madea Goes to Jail .............$8,80
3 Busca Implacável .............................$7,45
4 Quem Quer Ser Um Milionário? .................$6,92
5 Paul Blart: Mall Cop .........................$4,20
6 Ele não Está Tão a Fim de Você ...............$4,02
7 Coraline .....................................$3,31
8 Os delírios de consumo de Becky Bloom ........$3,12
9 Jonas Brothers: The 3D Concert Experience ....$2,78
10 Fired Up ....................................$2,60

terça-feira, 10 de março de 2009

{Review} Watchmen - O Filme


A melhor HQ de super-heróis de todos os tempos. Por mais de 20 anos, Watchmen ostenta esse título, com pouquíssima gente dizendo o contrário. E, praticamente pelo mesmo período de tempo, uma adaptação para as telonas é prometida.

Neste dia 6 de março, finalmente, o filme Watchmen chegará aos cinemas, depois de inúmeros percalços, incluindo trocas de estúdio, várias versões do roteiro, processos e a costumaz e cada vez mais cansativa crítica de Alan Moore, roteirista da obra original.

E não foi só isso. Os próprios leitores sempre ficaram ressabiados com tal adaptação. Muitos disseram que era impossível de se fazer. Outros levantavam a bandeira de uma adaptação para a TV, na forma de uma minissérie, levando em conta o tamanho da obra impressa. Mesmo agora, com o filme pronto, ainda há muitos com medo do resultado final.

A desconfiança é algo mais do que natural neste caso. Watchmen, ao lado de Batman: O Cavaleiro das Trevas (não o filme, mas sim a HQ de Frank Miller), foi um divisor de águas nos anos 80. Com o lançamento dessas duas minisséries, foi marcado o fim de uma era dos quadrinhos. Depois disso, os super-heróis mudaram radicalmente, tornando-se mais violentos, crus, menos fantasiosos em alguns casos e, em muitas ocasiões, menos criativos, menos divertidos.

Alan Moore (roteiro) e Dave Gibbons (arte) criaram um mundo completamente diferente de tudo que existia nos quadrinhos americanos até então. Embora inicialmente a idéia fosse usar os personagens da editora Charlton, que na época haviam sido adquiridos há pouco tempo pela DC Comics, o produto final se tornou bem diferente. Os heróis da Charlton estavam reservados a outro projeto, uma revista semanal, que infelizmente acabou nunca sendo lançada. Com isso, Besouro Azul, Capitão Átomo, Questão e outros perderam sua chance de serem um marco dos quadrinhos.

Em substituição, Moore criou um mundo novo, habitado por heróis mais realistas, mesmo que baseados nos aspectos mais marcantes dos personagens da Charlton. No mundo de Watchmen, depois de décadas de existência, os vigilantes uniformizados estão quase todos aposentados, principalmente depois que uma lei proibiu sua ação. Apenas um deles tem superpoderes, e bastou a existência deste único superser para mudar os rumos da História da humanidade. Graças a intervenção desse ser quase todo-poderoso, os EUA ganharam a Guerra do Vietnã, a ameaça nuclear se tornou mais iminente do que nunca e Richard Nixon ainda é o Presidente dos EUA em 1985.

Um mundo tão único, tão real ao mesmo tempo que diferente, é sem dúvida um desafio para qualquer diretor. A escolha de Zack Snyder foi um tiro certeiro no alvo exatamente por isso. Snyder, fã confesso de quadrinhos, já tem uma experiência muito bem sucedida com outra adaptação, 300, de Frank Miller. Com essa obra, Snyder se tornou um nome com muita força em Hollywood, ainda mais se levarmos em conta que conseguiu alta bilheteria com um filme extremamente violento, que tem ainda sexo e nudez, elementos que garantiram uma classificação etária alta.

Em Watchmen, do mesmo modo que fez em 300, Snyder conseguiu criar um visual único, impressionantemente fiel às HQs, com diversos cenários literalmente transplantados de uma mídia para outra. Mesmo que não houvesse personagens em sua Nova York de 1985, perceberíamos facilmente que aquele é o mundo de Watchmen, devido ao tamanho cuidado com o mais mínimo detalhe no filme. Até mesmo a trilha sonora é muito bem cuidada, passando todo o clima de cada década apresentada.

Dificilmente alguém que acompanhe o HQM não conhece a trama por trás de Watchmen, mas nem por isso devemos passar por cima de um resumo. Tudo tem início com o assassinato do Comediante (Jeffrey Dean Morgan, do seriado Supernatural), vigilante da velha guarda, um dos poucos ainda na ativa, trabalhando para o governo americano. Sua misteriosa morte logo chama a atenção de Rorschach (Jackie Earle Haley), outro vigilante, o único a operar como um renegado fora-da-lei depois do decreto que proibiu a atuação dos heróis que não trabalham para o governo. A teoria de Rorschach é que alguém iniciou uma operação para eliminar os vigilantes uniformizados. Sua investigação logo o leva a antigos companheiros, pessoas que vivem vidas amargas, e que, na visão de Rorschach, podem ser tanto o culpado quanto potenciais alvos futuros.

O segundo Coruja (Patrick Wilson) está aposentado, fora de forma, e descontente com sua vida acomodada. Sua única distração são suas visitas ao Coruja original (Stephen McHattie, também presente em 300), já um senhor de idade. Ozymandias (Matthew Goode) parece ser o único ex-vigilante bem sucedido. Sendo o homem mais inteligente da Terra, aposentou-se dois anos antes da lei que proibiu os heróis, revelando sua identidade ao público e usando sua inteligência e boa imagem para construir um império dos negócios, o qual usa para ajudar o mundo de uma maneira mais eficiente do que trajando uma fantasia nas ruas.

Laurie Jupiter, a segunda Espectral (o fenômeno da beleza Malin Akerman), vive descontente ao lado de seu namorado, o Dr. Manhattan (Billy Crudup, de Missão: Impossível III), sempre brigando com sua mãe, Sally, a Espectral original (Carla Gugino, de Sin City: A Cidade do Pecado). Manhattan, por sua vez, sendo o único ser vivo com poderes que o tornam quase um deus, aos poucos foi perdendo o interesse pelas pessoas, tornando-se distante, ainda que o governo o considere seu trunfo na iminente guerra nuclear com a União Soviética.

Neste palco cheio de incertezas, de pessoas que precisam encarar uma vida cheia de insatisfações e sonhos não realizados, com um mundo vivendo a paranóia de um conflito nuclear considerado inevitável, Snyder conseguiu conduzir uma incrível adaptação, sendo bastante fiel, a despeito do que muitos pensavam.

Alguns uniformes, como os do Coruja e Ozymandias, sofreram modificações, que de modo algum interferiram com suas personalidades ou com a trama em geral. A narrativa seguiu praticamente o mesmo ritmo dos quadrinhos, com um pequeno acréscimo de ação em cenas de luta já existentes na obra original, que mesmo assim podem, infelizmente, não ser o bastante para agradar o grande público que desconhece Watchmen.

Como dito antes, a enormidade (não só pelo número de páginas, mas também pela quantidade de detalhes) da HQ sempre foi um grande obstáculo para que sua adaptação fosse realizada. A versão para os cinemas ficou com duração em torno de 2 horas e 40 minutos, mas nenhum elemento importante ficou de fora, pelo contrário, a estrutura do filme foi pensada para apresentar o máximo de detalhes possíveis, usando e abusando de flashbacks (tal como a HQ) e com direito a uma apresentação que mostra um resumo da história do vigilantismo na América de Watchmen, que chega a mostrar em imagens elementos que nos quadrinhos foram apenas citados.

Claro, mesmo assim, algumas coisas acabaram ficando de fora, ainda que nada indispensável. Mas isso não é motivo de preocupação, já que Snyder prometeu que uma versão estendida com muitas novas cenas será lançada em DVD e Blu-ray futuramente.

No final deste mês, será lançado nos EUA, diretamente em DVD e Blu-ray, um “anexo” muito esperado. O lançamento englobará duas facetas que são marcas registradas de Watchmen. A primeira, que ganhou mais destaque na mídia, é a animação Contos do Cargueiro Negro, que adapta a “HQ dentro da HQ” de Watchmen, que surge na obra original na forma de uma HQ que um personagem menor lê durante a trama, apresentando uma história soturna de piratas. A outra atração do lançamento é Sob o Capuz. Nos quadrinhos, este é o nome de um livro escrito pelo Coruja original, que nos apresenta muitos detalhes da trajetória dos primeiros vigilantes. Neste lançamento, Sob o Capuz será apresentado como um documentário baseado no livro. Para aqueles que têm mais paciência (o que é bastante recomendável para não perder dinheiro com várias versões), também está prometido o lançamento de uma versão do filme com as cenas adicionais, bem como Contos do Cargueiro Negro e Sob o Capuz, porém, essa versão mais completa demorará bem mais para ser lançada.

Deixando os detalhes de lado, voltemos a falar do elenco. Composto em sua maioria por rostos pouco conhecidos mundialmente, não decepcionou em nenhuma das escolhas. Alguns se sobressaem por sua semelhança física com os personagens, outros por suas interpretações, mas os dois personagens que se destacam são Rorschach e Coruja, que juntam as duas características para se tornarem os heróis com quem o público facilmente simpatizará.

Rorschach, diga-se de passagem, desde as HQs é um fenômeno, afinal é quase um louco psicopata, ultra-violento, que mesmo assim conquista a empatia do leitor/espectador. A violência, aliás, já com presença forte na obra original, é bastante ampliada em sua versão cinematográfica, que contém também cenas de sexo bem mais explícitas do que comumente se espera de um filme de super-heróis.

Fãs com certeza ficarão maravilhados com o filme, até que, no clímax da trama, lembrarão o que foi alardeado há vários meses. Tal clímax é um tanto diferente do apresentado nos quadrinhos, o que, tão logo foi revelado, gerou manifestações negativas muito enérgicas. A verdade é que a mudança se prova interessante nas telas. Sem entrar em detalhes para não estragar a surpresa, digamos que por um lado tal mudança é incrivelmente lógica e eficaz, enquanto por outro com certeza fará com que fãs a debatam por meses.

Curiosamente, do mesmo modo que revolucionou os quadrinhos ao lado de Batman: O Cavaleiro das Trevas, como dito antes, Watchmen chega agora aos cinemas para mostrar, ao lado de outro Cavaleiro das Trevas (ainda que o filme só tenha o nome igual à HQ, ao menos no Brasil), que super-heróis não necessariamente são sinônimo de fantasia, ingenuidade e integridade, e que funcionam muito bem, quando pessoas realmente talentosas estão envolvidas, para contar uma história mais crua, violenta e que não precisa sempre apelar para cenas de ação gigantescas.


Elenco: Jackie Earle Haley, Jeffrey Dean Morgan, Patrick Wilson, Malin Akerman, Billy Crudup, Matthew Goode, Matt Frewer, Carla Gugino, Stephen McHattie.
Roteiro: Alex Tse.
Direção: Zack Snyder.





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Entrevista com os Produtores de "Watchmen"


O roteirista David Hayter passou uma década envolvido na adaptação de Watchmen - O Filme. Seu texto foi lido até pelo autor da graphic novel que deu origem ao filme, Alan Moore, que o chamou de "provavelmente a coisa mais próxima de um filme de Watchmen possível", o que, vindo do escritor, é um elogio tão colossal quanto a lula extradimensional que encerra o gibi.

Depois de anos de batalhas e entra e sai de estúdios, porém, Hayter cansou-se e deixou o projeto. Com a saída do roteirista e a mudança para a Warner Bros, Alex Tse foi chamado para uma reunião no estúdio. Ele teve que concorrer pelo projeto, mas acabou contratado. Quando Zack Snyder foi contratado para a direção, Tse teve uma conversa decisiva com o cineasta, na qual os dois de certa maneira formaram um pacto: Não arruinar Watchmen. E para tanto deveriam trabalhar sobre um roteiro que ambos consideraram uma "declaração de amor à graphic novel", o roteiro de David Hayter.

A equipe do site Omelete conversou com Tse e Hayter em Los Angeles com exclusividade sobre o filme, Alan Moore, o processo de adaptação, as armadilhas... Confira!


Terry Gilliam descreveu uma vez Watchmen como o Guerra e Paz das histórias em quadrinhos. Como vocês descreveriam a HQ?

Alex Tse: Para mim, Watchmen e Batman - O Cavaleiro das Trevas são o equivalente ao Novo e Velho Testamento das histórias em quadrinhos.

David Hayter: Uau. Qual é o Velho? Pra mim é a maior HQ já escrita - razão pela qual eu persegui esse projeto tantos anos.

David, eu sei que você falou com Alan Moore ao telefone. Como foi isso?

DH: Um jornalista, não lembro quem, me deu o telefone da casa dele. Eu não devia ter feito isso, mas eu sabia que jamais chegaria a ele através de agentes ou coisas assim, então juntei coragem e liguei pra ele do meu escritório na Universal. Comecei o papo dizendo "desculpe, você não sabe quem eu sou, meu nome é David Hayter e estou adaptando sua obra-prima, Watchmen, para o cinema. Eu sei que você não é fã disso, mas eu preciso dizer que se você tem alguma coisa a dizer, se quer ter qualquer participação nesse projeto, qualquer conselho, enfim, por favor, isso significaria muito pra mim". E ele disse, naquele jeitão dele, muito gentil, "David, o livro é meu, mas o filme é seu. Se você tiver qualquer dúvida, pode me ligar, mas... não. Não quero me envolver diretamente". Eu acabei ligando algumas vezes pra ele ao longo dos anos para fazer perguntas específicas, como "o que é um Gluíno". Eu acho que ele, no fundo, apreciou o fato de eu me importar tanto com a obra a ponto de fazer perguntas como essa. Ele sempre me ajudou como escritor, mas em termos de Hollywood ele preferiu manter-se afastado.

E ele leu seu roteiro. Você sabe o que ele achou?

DH: Ele nunca me disse, mas comentou à revista Empire que o texto é provavelmente a coisa mais próxima de um filme de Watchmen possível. Essa declaração provavelmente salvou minha vida das hordas de fãs enfurecidos. Mais que isso, significou muito pra mim e me deixou em estado de choque por um tempo. Ele não precisava ter feito isso e gosto de acreditar que foi em apreciação a meu amor insano pela obra dele.

Como foi seu processo de adaptação?

DH: O que eu fiz foi primeiro escrever um roteiro usando cada quadrinho da graphic novel, sem cortar nada e sem detalhar cenas de ação. A primeira versão tinha 178 páginas, o que nem era tão exagerado. Depois fiz uma nova passagem, condensando diálogos e cenas, mas sem perder nenhuma, apenas aparando arestas. Aí o tamanho caiu para 134 páginas, o que dava pouco mais de 2 horas. Adaptar não foi difícil, afinal. O que foi complicado foi proteger o texto dos estúdios.

Explique essa proteção.

DH: Eu acredito que a grande maioria dos executivos de estúdios com quem eu conversei em 10 anos sequer leu Watchmen. A lógica comum deles era pensar do volume de vendas da graphic novel, na base estabelecida de potenciais consumidores e tentar transformar isso em um fenômeno de massa, em um produto familiar. O que ninguém entende é que Watchmen não é um quadrinho de personagens, é um quadrinho de história - os personagens inexistem fora dessa série de eventos, desse mundo complexo. Estruturalmente, é perfeito! Mas o volume de informações assusta os executivos.

AT: Para entender isso você tem que entender como a cabeça dos executivos de estúdios funciona. Eles se sentem confortáveis com coisas que lhes são familiares. É por isso que temos tantas continuações e refilmagens. Então quando eles olham pra Watchmen tentam aplicar à obra suas regras familiares. Pegam os filmes de super-heróis que funcionaram no passado e tentam impor essas regras a ele. Enxergam um bando de caras de colante correndo, mas são incapazes de ver como a graphic novel mudou os arquétipos desses mesmos super-heróis que eles tentam emular.

DH: É engraçado também como há 20 anos se fala que Watchmen era "infilmável". Bobagem! A história é absolutamente perfeita, sem gorduras, e nem é assim tão grande. Não é um Senhor dos Anéis - que também foi filmado! - é apenas muito mais inteligente do que a maioria dos estúdios e profissionais está acostumado. E quer saber? Quanto mais inteligente, melhor! Se o filme for intrincado, pode acontecer do público voltar para ver novamente! Por um lado, creio que o público se sente honrado pelo fato de estarmos o levando a sério.

A graphic novel tem uma estrutura clássica, páginas com nove quadros em sua maioria, vocês tentaram incorporar isso de alguma maneira como o ritmo do filme?

DH: Essa não é exatamente uma escolha minha, mas do diretor. Mas eu sempre achei que Watchmen deveria ter no cinema uma grandeza clássica, algo que correspondesse a essa estrutura de 9 quadros da graphic novel. Mas foi exatamente isso o que Larry Fong (diretor de fotografia) e Zack Snyder fizeram. Minha preocupação foi com o ritmo da história, com a tensão, a tranquilidade e as cenas de ação. Esse foi meu foco. Tome como exemplo a sequência em que o Dr. Manhattan é assediado pela imprensa e se refugia em Marte. Do caos da rede de televisão vamos direto para uma serenidade infinita no planeta vermelho. Naquele silêncio podemos sentir como ele a pressão psicológica à qual ele havia acabado de ser submetido.

Alex, qual você acredita que foi sua maior colaboração nesse trabalho e o que você mais gostou de fazer?

AT: Eu me diverti demais fingindo ser Alan Moore. Tentando imitar o estilo dele. Em momento algum tentei imprimir meu estilo próprio no texto, mas imitar o dele. O tempo todo. Tentar pensar como ele talvez pensaria. Então adorei fazer certas coisas, como a utilização do programa de entrevistas políticas que abre o filme. É uma referência pop que acredito que ele usaria - só que além de política eles estão discutindo super-heróis. Foi demais fazer isso. Adorei!

Esses programas e referências supriram em parte a ausência daqueles trechos de livros e relatórios ao final de cada capítulo da HQ...

DH: Aqueles trechos carregam alguns elementos bastante importantes para a história. Ou se não são importantes, são apenas muito bacanas. Tirei, por exemplo, alguns pedaços do livro "Sob a Máscara" e coloquei-o no diálogo de Dan com Holis Mason. Mas Alex e Zack levaram essa ideia a um novo patamar. Aquela introdução, com as fotos históricas, é incrível. Entenda que eu estava apenas tentando sobreviver com meu roteiro, levá-lo o mais perto possível da história em quadrinhos...

AT: David estava numa posição completamente diferente da minha. Quando eu assumi o roteiro tinha por trás Zack... Se eu estivesse no lugar dele, sem o diretor na retaguarda, o estúdio teria me despedido rapidamente. Mas como eu estava incorporando coisas ao texto que Zack queria, eu podia fazer isso à vontade. Ele, afinal, tinha acabado de fazer meio bilhão de dólares para a Warner com 300! E Zack estava muito entusiasmado com a ideia de incorporar trechos dos livros no filme. Ele especificamente exigiu coisas como a frase "eu não disse que Superman existe... e é Americano. Eu disse Deus existe... e é Americano".

Que é um trecho de "Super-Heróis e Superpotências".

DH: Exatamente.

AT: Outra coisa em que eu usei bastante um trecho de livro foi no roteiro do DVD "Contos do Cargueiro Negro". A HQ dentro da HQ é relativamente curta e eu tinha que expandi-la para justificar um lançamento em DVD. Então peguei aquele arquivo de jornal sobre o desaparecimento do escritor, que traz bastante informação sobre os "Contos" para me ajudar. O fato de eu saber que Alan Moore tirou a ideia do filme Threepenny Opera [de Georg Wilhelm Pabst, 1931] também me ajudou. Entendi como era e tentei seguir o estilo.

DH: Usamos também um trecho do livro de Holis Mason que transformamos em narração em off do primeiro Coruja. São coisas assim...

Vocês trabalharam juntos?

DH: Não. Eu trabalhei com Paul Greengrass até o final de 2005 e depois, quando a Paramount cancelou o filme, levei o roteiro com Larry Gordon até alguns estúdios. Mas aí fiquei cansado e falei para ele que tinha que deixar o projeto. Me partiu o coração - e talvez eu não devesse ter feito isso - mas não dava pra saber que daria tudo certo no final e eu estava devastado por tantas coisas ruins que aconteceram com o projeto até então. Então saí, mas felizmente outros fãs de verdade entraram no meu lugar.

Pra terminar, antes que me matem por tomar tanto tempo de vocês, há algum aspecto do filme ou do roteiro que vocês sentem que não foi suficientemente comentado? Algo que vocês tenham orgulho e que ninguém notou ainda?

AT: Ainda não. O filme ainda não saiu então, acredite, vão comentar todos os frames existentes! Mas há algo em termos de produção que eu acho que as pessoas não estão dando valor suficiente: os obstáculos que essa equipe - David, Larry Gordon, Lloyd Levin, Zack e Deborah - enfrentou para proteger esse filme. Os fãs não fazem a menor ideia de quantas versões lamentáveis do roteiro existiram ao longo de 20 anos! O mundo quase viu os personagens de Watchmen transformados nos Vingadores, quase viu um filme de dupla tipo "Máquina Mortífera", quase viu um filme sem flashbacks, quase viu o Dr. Manhattan de uniforme...

DH: E não foi por pouco. Quase aconteceram coisas como essas de verdade. Claro, nós tivemos que fazer algumas mudanças, mas os fãs puristas não entendem isso. Eu, sinceramente, acho que o filme ter saído como saiu, tão fiel à graphic novel, é um milagre.

AT: Se David tivesse cedido ao que pediram para ele desde o começo - e ele passou quase uma década nele - ele teria ficado rico, mas ele não o fez. Falta uma certa apreciação por parte de alguns fãs dessa equipe que lutou tanto pela obra. Mas também não posso culpá-los, é assim que o "Hollywood System" funciona e para entender o que passamos só mesmo estando aqui dentro. Foram umas guerras do cacete! Guerras! Guerra pela censura 18 anos, guerra para ambientar o filme na década de 1980, guerra pelo final... Só Zack teria conseguido isso.

DH: Sim, se fosse só pela grana eu teria feito o que a Universal me pediu, lançado o filme em 2001, recebido créditos de produtor e feito Watchmen 1, 2 e 3! Eles seriam horríveis e eu me odiaria. Então nunca foi o caso. É um trabalho de amor.

Agora que está tudo pronto, que vocês estão fazendo entrevistas, como é viajar por aí com Dave Gibbons, um sujeito que deve ser um ídolo de vocês?

AT: Eu gasto uma caixa de lenços de papel toda manha enxugando as lágrimas. Ahaahahaha. Sério, eu li a HQ no colégio e ela mudou a minha vida. Agora, estar do lado dele e saber que ele está tão satisfeito com o resultado, é mais importante pra mim do que qualquer sucesso pessoal que eu poderia extrair dele. De verdade. Eu teria feito esse filme de graça.

DH: Eu não! Ahahahahaahaha. Trabalhar de graça não dá. Mas poder trabalhar sobre algo tão genial é o melhor cenário possível. Quanto a sentar ao lado de Dave Gibbons, tenho que separar meu lado fã do lado profissional, sério. Do contrário eu ficaria só gaguejando. Mas a cada email que eu recebo dele fico pensando quão bizarro é isso... e vê-lo feliz com o resultado é extremamente gratificante.

segunda-feira, 9 de março de 2009

TopCow Vai Levar Suas Super-Heroínas Para o Cinema!

A Top Cow está mesmo querendo seguir o rumo da Marvel nos cinemas. Vai apostar em suas heroínas gostosas na telas grandes: Magdalena, Fathom, Witchblade e Aphrodite IX.







MAGDALA


A adaptação de Magdalena, histórias em quadrinhos (inéditas no Brasil) da Top Cow Comics, para o cinema tem novidades. A produtora Gale Anne Hurd, falou à matriz da MTV sobre o projeto.

"Ela é incrível. A história é meio O Código Da Vinci meio O Procurado. Tem uma mitologia grande e uma personagem que no início não está ciente de seu legado, que é algo que eu adoro - muitos dos filmes que faço lidam com essa idéia. E tem elementos sobrenaturais", disse.

Gale Anne Hurd, que também já produziu Aeon Flux, os dois Hulk e os dois filmes recentes do Justiceiro, além dos três O Exterminador do Futuro, informou ainda que a produção do Platinum Studios e a Valhalla Motion Pictures está atualmente em busca de um diretor.

Jenna Dewan será a jovem Patience, que cresceu num orfanato antes de vagar sem casa pelas ruas de Nova York, e de repente descobre fazer parte de uma linhagem de guerreiras que descende diretamente de Maria Madalena. Como sua primeira missão, ela terá que impedir forças sobrenaturais de dominarem o mundo. Luke Goss (o vilão de Hellboy II) será Kristof, agente enviado pela organização secreta que protege a santa linhagem.


FATHOM


Em entrevista ao site Omelete em junho do ano passado, Megan Fox (Transformers 1 e 2) revelou que é fã de quadrinhos e adoraria viver a protagonista de Fathom, adaptação ao cinema da história em quadrinhos do falecido desenhista Michael Turner (que a Panini Comics publicou no Brasil). Pois a atriz está mais próxima de pegar o papel.

Segundo o IESB, a morte de Turner em junho deste ano não vai afetar a produção (assim como a HQ continua a ser publicada lá fora). A 20th Century Fox decidiu passar o projeto para seu braço de filmes de gênero, a Fox Atomic, que agora está atrás de roteiristas. De acordo com o site, Megan Fox assinou contrato para viver a protagonista Aspen, mas ainda falta o anúncio oficial.

Turner criou Fathom para a Top Cow em 1998 quando se afastou de Witchblade, outra criação sua - e que também está virando filme. Na história de Fathom, Aspen é uma jovem encontrada no navio Paradise, que aporta misteriosamente em San Diego dez anos depois de desaparecer por completo. Ela então é adotada por um oficial naval, Capitão Matthews, e cresce ótima nadadora e se especializa em biologia marinha. Mas o passado de Aspen é um mistério, e também a chave para o equilíbrio de dois mundos, o da superfície e o submarino.


WITCHBLADE

Há anos a Top Cow planeja levar ao cinema uma de suas HQs mais populares, Witchblade. Em 2005, a editora se aliou às produtoras Arclight Films e Platinum Studios e agora, finalmente, o resultado vai começar a aparecer.

Locações na Austrália já começaram a ser procuradas. Segundo o diretor da Arclight, Gary Hamilton, a produção começará em setembro. Não há, porém, diretor, elenco ou roteirista oficializados ainda.

Não haverá qualquer ligação com a finada telessérie da TNT estrelada por Yancy Butler. Na história original, a policial Sara Pezzini vira hospedeira da letal e simbiótica arma Witchblade, que lhe dá poderes sobrehumanos e cobre o corpo todo a partir do pulso - deixando frequentemente à mostra as coxas, o umbigo, o contorno dos seios... :-P

Além dos executivos das companhias, há gente da Top Cow envolvida no filme da heroína semi-nua. Um deles, claro, é o quadrinhista e fundador da editora Marc Silvestri, que servirá como produtor-executivo, ao lado de Matt Hawkins, também da Top Cow.

A Platinum Dunes entrou nessa jogada porque comprou há três anos os direitos para levar todo o extenso catálogo de personagens da Top Cow para a televisão e o cinema. Adaptações de Darkness, Inferno, Meet the Haunteds, Cowboys & Aliens, Unique, Mal Chance, Rising Stars e Fathom já são esperadas há um bom tempo, mas nenhum começou a sair do papel ainda.

Aliás, o único gibi da Top Cow que já virou filme, Wanted, não teve o envolvimento da Platinum Dunes.


APHRODITE IX

O Platinum Studios e a Threshold Entertainment se associaram à Top Cow Productions para transformar o gibi de ficção científica em um longa 3-D.

Aphrodite é uma assassina indestrutível criada em laboratório: ela mata e perde a memória, para poder matar novamente depois. Os problemas começam quando a bela de cabelo verde recupera lembranças e começa a questionar seu ofício.

Segundo o Hollywood Reporter, no momento os produtores procuram a protagonista. Ainda não há diretor contratado.


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[Watchmen] Entrevista com Dave Gibbons


Em nove anos, os editores do Omelete tiveram a honra de conversar com lendas vivas das histórias em quadrinhos, como Alan Moore, Frank Miller e Neil Gaiman. Agora, em uma entrevista exclusiva com Dave Gibbons, fechamos o ciclo de quadrinistas que revolucionaram o gênero dos super-heróis e a linguagem da Nona Arte na década de 1980. Gibbons, afinal, ilustrou Watchmen, graphic novel que Moore escreveu, lançada poucos meses depois de Batman - O Cavaleiro das Trevas, de Miller.

A conversa com Gibbons foi a última de sua concorrida agenda em Los Angeles em meados de fevereiro para a divulgação de Watchmen - O Filme. Cansado, mas muito empolgado com a adaptação e em falar de sua carreira e trabalhos, o ilustrador começou a conversa.

(Entrevista realizada por Érico Borgo):

Quando você assistiu ao filme?

Eu vi uma versão preliminar do filme em agosto, logo depois da San Diego Comic-Con. Estava inacabada, com efeitos especiais ainda em andamento, sem trilha sonora e a edição estava incompleta. Mas vi a versão final ontem, na sessão de imprensa à noite.

Eu estava nessa sessão. Lotada!

Estava lotada, sim. Fiz questão de ir porque ontem eu tive entrevistas com a imprensa e senti que precisava conhecer a versão final, afinal, todo mundo já tinha visto o filme. Achei loucura o que eu estava fazendo, falando do filme sem ter visto - basicamente estava comentando o omelete tendo visto somente as cascas dos ovos, se me permite usar essa palavra. Acho que ninguém se preocupou com isso porque nos próximos dias teremos a première do filme na Inglaterra e depois a aqui nos Estados Unidos, mas eu quis ver sozinho, sem o elenco a equipe e os produtores em volta olhando para o meu rosto, querendo saber o que eu achei. A minha única preocupação é que eu tinha acabado de chegar da Inglaterra e estava com um jet lag forte, então estava com medo de dormir no filme, o que seria vergonhoso.

Comigo foi exatamente o mesmo, cheguei do Brasil, 48 horas sem dormir, e fui ver o filme. E despertei imediatamente!

Exato! Fiquei imediatamente absorvido pelo filme. E você sabe que um filme é bom quando esquece até onde você está. Esse foi o efeito que ele teve comigo. Eu gostei muito.

Me lembro de você ter publicado no blog do filme que depois do set visit você ficou sorrindo um mês. Agora que você viu o filme, o que acha? Que ficará sorrindo quando tempo?

Pelo contrário... estou com uma sensação de tristeza. Sabe quando você lê um livro incrível e fica com um certo vazio quando ele termina? Esse filme de Watchmen tem sido uma jornada tão interessante que parte de mim está triste por ele estar pronto. Mas claro, a outra parte está sorrindo, sim! E está sorrindo desde aquele set visit, quando tive a certeza de que o filme estava sendo feito corretamente. E há ainda uma outra sensação, a de alívio. Eu alardeei tanto esse filme, dizendo para quem quisesse ouvir que seria incrível, que em determinado momento fiquei em crise. E se não fosse? Felizmente, é! Ficou intrigante, inteligente e bonito de ver.









Essa é talvez a maior qualidade de Watchmen, como a história em quadrinhos faz você pensar sobre as coisas. Moral, a sociedade... e a própria arte, em como a HQ mudou uma mídia. E falando em mídia, lembro de você ter falado que achava a comparação entre o cinema e os quadrinhos uma bobagem. Que as duas artes têm suas semelhanças, mas que não dá pra comparar de verdade. Que apesar das HQs pareceram storyboards elas não têm som ou movimento - e que o cinema não permite que voltemos páginas pra entender algo que passou batido antes. Mas eis que surgem agora os quadrinhos animados e com som, inclusive um de Watchmen. O que você pensa a respeito desse híbrido?

É estranho. A primeira vez que tive contato com isso foi quando a DC Comics me chamou para mostrar a novidade. Minha primeira reação foi que era até que bem feito, mas não vi relevância alguma naquele produto. Por que fazer algo assim? Então peguei o DVD e mostrei para amigos, criadores, gente dos quadrinhos e dos games, e todo mundo achou a mesma coisa que eu. Só que aí eu levei pra casa e mostrei para as minhas afilhadas adolescentes - e elas ficaram loucas. Acharam muito legal. Aí percebi que existe um público para isso...

A geração YouTube.

Sim, uma que está habituada a informação visual rápida. Nós não somos parte dessa geração, mas ela está aí. Então voltei à DC e disse que se era pra fazer, tinhamos que fazer direito, então atuei como consultor no projeto. Até desenhei algumas coisas, para facilitar o trabalho da produtora, que teve que recortar personagens dos cenários para animá-los. A HQ animada acabou com seis horas de duração. E está vendendo bem no iTunes, para ser vista em iPod e iPhone. Mas voltando à questão da comparação, ainda acho que quadrinhos são quadrinhos, cinema é cinema, mas tem uma outra coisa embrionária surgindo aí no meio... Não sei bem se o formato será esse mesmo, mas acho que ela vai se desenvolver rapidamente.

Você esteve envolvido no filme, nessa HQ... Não é estranho trabalhar tanto em algo que você fez há quase 25 anos? Todas as pessoas mudam tanto... deve ser como olhar para você mesmo no passado.

Com certeza, é sim. Mas é ótimo, porque posso olhar de maneira mais distante para esse trabalho. Sabe, quando você começa uma história em quadrinhos sempre tem a impressão que ela será seu maior trabalho, "o" trabalho. Não há dúvida. Mas aí passam os dias e aquilo se torna só mais um trabalho - e como todo trabalho você começa a criticá-lo, pensar no que poderia fazer melhor. Aí todas as vezes que olha essa história só enxerga os erros. Só que cinco anos depois, você encontra esse trabalho na gaveta e pensa "caramba, isso está legal". Esse é o estágio que vivo hoje com Watchmen. Olho para ela e penso que não está ruim. Poderia ter feito uma ou outra coisa melhor, mas não há o que fazer agora, certo? Mas, sim, você está certo. Tenho essa sensação de que estou vendo o trabalho de outra pessoa e certamente não quero fazer isso a minha vida toda - olhar para o passado.

Alguma mudança em particular em relação à história em quadrinhos que você gostou ou desgostou?

Eu tenho uma visão um tanto pragmática de adaptações. Sei que alterações são necessárias e que é impossível transportar uma obra de uma mídia para outra sem fazer mudanças. Tendo conhecido Zack Snyder, David Hayter e Alex Tse eu tinha enorme confiança na produção, sabia que ela estava sendo feita com enorme preocupação com a fidelidade. E todas as mudanças que eles fizeram me pareceram bastante acertadas.

Fiquei impressionado com a quantidade de detalhes que eles conseguiram fazer caber em 2 horas e meia.

O paradoxo em Watchmen é que na história em quadrinhos tínhamos espaço demais. Ela foi lançada originalmente como uma minissérie em 12 edições. O problema é que Alan só tinha história suficiente para 6 edições, então começamos a povoar aquele universo com detalhes. Todas as coisas mais lindas ali nasceram dessa necessidade de expansão. Alan, sendo quem é, não consegue simplesmente encher linguiça, mas começa a criar interações maravilhosas. É isso que torna Watchmen o que é. Mas é interessante notar como depois da expansão, de certa forma, temos agora uma retração, para caber em um filme.

Você vai falar com Alan Moore sobre o que achou do filme?

Não vou. Mas isso é porque ele me pediu especificamente para que não o fizesse. Nós somos amigos, mas ele não quer saber desse filme, então vou respeitar o desejo dele. Só o farei se ele puxar assunto.

Qual foi sua participação no filme e o que você achou do processo todo?

Eu sei que estou me repetindo nas entrevistas, mas só posso dizer que o processo todo foi "surreal", quase um sonho. Ver o que eu imaginei na minha cabeça ali na minha frente foi mesmo surreal. Eu gostaria de ter mais adjetivos para descrever essa sensação, mas meu negócio é desenhar. Minha participação foi como consultor, então não fiz muita coisa. Sobre o filme, eu adorei. Fiquei muito honrado que eles tenham recriado meu trabalho com tantas minúcias e pequenos detalhes. O filme segue a ideia da graphic novel, onde tudo é proposital e tem significado.

O que você gostou mais?

Há duas coisas. A primeira é a reunião dos Combatentes do Crime. Eu estava lá quando essa cena foi rodada e foi meio chocante e real. Entrei na sala e senti cheiro de charuto, os atores vieram me cumprimentar, falando como os personagens... foi incrível ganhar um tapinha nas costas do Comediante. Outra coisa que foi inacreditável pra mim foi entrar na Nave-Coruja. Quando eu era criança gostava de construir modelos em escala. Depois, me formei engenheiro, então eu não apenas desenhei a nave, mas a projetei de certa maneira - sabia onde estavam os motores, como era o interior, sabia tudo. Então entrar nela, segurar os controles... Se existe um objeto no mundo que eu desejo é aquela nave. Ela deveria ficar no meu quintal. Ahahahaha.

Você tem uma relação de uma vida inteira com o Coruja, não?

Sim, é um personagem que criei quando era pequeno, o Coruja original. O visual dele na história em quadrinhos é exatamente o que eu desenhei quando menino. Então imagine o que sinto vendo-o de carne e osso...

Você tem vontade de continuar trabalhando no cinema? Você embarcaria em uma adaptação da saga Martha Washington que você criou ao lado de Frank Miller?

Olha, depois de passar tanto tempo revisitando Watchmen, por que não revisitar Martha Washington? As duas obras são tão diferentes em tantos aspectos que eu não me importaria de trabalhar no filme de Martha. Mas eu acho que minha relação com o filme seria bem diferente da que foi com este. Pra começar, Frank e eu somos donos de Martha Washington, diferente de Watchmen - que não pertence a Alan e eu -, então teríamos muito mais força em um eventual filme de Martha e obviamente faríamos muito mais dinheiro. Mas é uma discussão que ainda não começou de verdade. De qualquer maneira temos a edição completa da saga, The Life and Times of Martha Washington in the 21st Century, que sai agora em 4 de julho, que pode criar certa expectativa por um filme... e Frank tem ótimos contatos em Hollywood agora, então vamos ver o que acontece.

Você conversou com Frank a respeito?

Nós somos amigos e nos falamos, mas ele anda mergulhado em Hollywood ultimamente... Não o tenho visto. Mas somos amigos há tanto tempo que sempre retomamos nossas conversas do ponto em que pararam há seis meses. Tivemos, sim, uma discussão sobre o filme de Martha Washington no meio do ano, em um bar em San Diego durante a Comic-Con, mas chegou a hora de conversarmos de novo. Assim que a turnê de divulgação de Watchmen terminar essa é uma prioridade minha, procurá-lo para conversar.

No que você está trabalhando agora?

Eu ainda não posso comentar nada a respeito, mas escrevi um projeto para a DC Comics. Não é quadrinhos, é algo diferente. Estou sob embargo e só posso dizer que é algo pouco usual.

Você acompanha o trabalho dos ilustradores brasileiros na DC?

Eu troquei alguns e-mails com Ivan Reis. O trabalho dele é fenomenal, ele é um ilustrador fabuloso. Gabriel Bá é outro que eu gosto. Os quadrinhos se tornaram uma mídia internacional, não há mais barreiras geográficas nas HQs. Eu me lembro de ter tido uma epifania sobre isso quando fui a uma convenção de quadrinhos em Lucca, na Itália, no começo dos anos 80. Lá pude ver o trabalho de ilustradores locais incríveis, gente de quem eu nunca havia ouvido falar antes. Na América do Sul o entusiasmo é o mesmo. Já fui a convenções na Argentina e foram incríveis. Os quadrinhos se tornaram globais. É ótimo.


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Alan Moore Critica os Filmes e Diz Que Não Lê Gibis Há Anos!


Alan Moore está de volta. Mas mais calmo, em relação às outras entrevistas que vem dando à mídia anglófona. Desta vez, foi a revista dos EUA Wired que publicou uma longa conversa com o inglês barbudo, onde ele revela, por exemplo, que não lê gibis de super-heróis há vários anos.

"Tenho que dizer que não vejo um gibi, muito menos um gibi de super-herói, há muito, muito tempo - faz anos, provavelmente uma década desde que olhei algum com atenção. Mas me parece que as coisas que se pretendiam críticas ou satíricas em Watchmen agora são simplesmente aceitas só pelo que aparentam na superfície. Assim, ando bastante pessimista quanto à idéia dos 'cruzados de capa'", diz.

E ele continua defendendo sua teoria de que os super-heróis só deram certo nos quadrinhos dos EUA por causa da postura belicista de superioridade do país. "Por exemplo, bombardear alguém das alturas é o equivalente a ter vindo de Krypton bebê e ganho superforça e poder de voar por causa da gravidade fraca da Terra. Talvez seja uma interpretação simplista, mas é o jeito como vejo os super-heróis hoje em dia."

Na hora de reclamar das adaptações de suas obras para o cinema, Moore nem é tanto incisivo. Chega inclusive a comentar que já derramou veneno por várias outras entrevistas, e que tudo já foi dito. Mas não deixa de fazer alguns comentários precisos sobre adaptações de quadrinhos em geral:

"Houve uma época em que eu dizia que se um dos meus trabalhos poderia funcionar como filme, seria o primeiro volume de Liga Extraordinária. Ele tinha uma estrutura que poderia virar roteiro direto, e teria sido tão poderoso quanto na publicação original. Mas eu estava subestimando as inclinações da Hollywood contemporânea, com a qual eu simplesmente não acredito que qualquer de meus trabalhos se beneficiaria de virar filme. Muito pelo contrário, na verdade."

"Veja essa idéia de fazer um filme de Spirit. Eu diria que é bastante óbvio que The Spirit não é a história de um cara de máscara azul que enfrenta o crime quando sai do seu túmulo de mentira. The Spirit é sobre os quadros na página, e o jeito como seu olho dança de um para o outro. São as formas e layouts e designs inovadores que Will Eisner trouxe para a mídia. Não dá para traduzir isso em filme. Por mais que Eisner amasse o cinema e tentasse tirar várias técnicas dali para os quadrinhos, há coisas numa página de Will Eisner que você não consegue traduzir para a linguagem do cinema."

"Tenho dinheiro suficiente para ficar confortável. Tenho uma vida tranqüila, pago minhas contas no fim do mês. Não quero um monte de dinheiro que dependa de diluir algo do qual tenho orgulho. Essa é basicamente minha atitude quanto à idéia de meus trabalhos serem adaptados para qualquer outro formato."



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sexta-feira, 6 de março de 2009

[Estréia HOJE!] O desafio de Watchmen no cinema!


A cultura pop dos já distantes anos 1980 foi marcada por algumas produções que ainda repercutem nestes primeiros anos do século 21. Na telona, Blade Runner (1982), de Ridley Scott, ainda é um marco estético. Amplamente imitado em filmes, clipes e HQs, é o longa-metragem que combinou traços do cinema noir e uma visão futurística e decadente dos centros urbanos, uma distopia.

Em 1989, o filme Batman, de Tim Burton, combinou influências da ficção-científica de Ridley Scott e de duas obras do vigilante de Gotham City: A Piada Mortal, escrita por Alan Moore e desenhada por Brian Bolland, e O Cavaleiro das Trevas, com texto e arte de Frank Miller.

No mundo dos quadrinhos da década de 1980, Frank Miller ainda fez história com sua versão do Demolidor; e Alan Moore escreveu a minissérie que se tornou o paradigma das HQs de super-heróis adultas: Watchmen.

E por quadrinho adulto de super-herói entenda-se as obras marcadas pela preocupação de retratar os combatentes do crime fantasiados pela lente do realismo. Ou seja, recriar personagens em um universo ficcional mais próximo da realidade humana de um dado momento histórico.

É verdade que desde os anos 1960, Stan Lee já havia imprimido aos heróis da Marvel características que combinavam vícios e virtudes bastante humanos. Alan Moore, porém, inovou por ressaltar aspectos políticos que envolveriam, necessariamente, a existência e atuação de super-heróis. Se um vigilante mascarado faz justiça com as próprias mãos, qual deveria ser o comportamento do Estado?

O debate ético em Watchmen conduz o leitor a respostas que até então uma publicação de uma grande editora, como a DC Comics, não havia se permitido ainda.

No mundo criado por Moore, os heróis servem necessariamente (ou mesmo inconscientemente) a interesses políticos que nem sempre obedecem aos ideais da justiça e solidariedade.

Se nas décadas de 1930 e 1940, o mundo vivia tempos quase ingênuos, nos quais os conflitos eram mais simples e se sabia quem era o mal e quem representava o bem, os anos que se seguiram ao fim da Segunda Guerra Mundial, formaram uma "área cinzenta" em que lutam heróis que, muitas vezes, não têm certeza da justiça de seus atos.

Para encenar este conflito, Alan Moore criou dois personagens diametralmente opostos: Comediante e Dr. Manhattan.



O Comediante representa a consciência de que os anos dourados dos super-heróis haviam ficado para trás. Com o advento da fusão nuclear, ele, como se fosse um Hitman empregado na luta contra o comunismo e seus simpatizantes, é partidário de uma visão mais cínica e pragmática da luta pela preservação do american way of live.

O confronto aberto entre Estados Unidos e União Soviética levaria à guerra termonuclear e à conseqüente extinção da espécie humana. O que faz com que o Comediante esteja em campos de batalha como os do Vietnã e se envolva com a morte do presidente John Fitzgerald Kennedy.

Já o Dr. Manhattan é o personagem alegórico da série. É o único dotado de superpoderes e, como um deus, tem a capacidade de manipular a matéria e alterar as leis da física. Como soldado fiel aos EUA, ele é a arma perfeita contra as pretensões expansionistas soviéticas.

Por outro lado, como cientista, seus poderes levam-no a descobertas científicas que colocam o seu país na dianteira da corrida armamentista. Graças ao Dr. Manhattan, o mundo ocidental tem acesso a avanços tecnológicos que, pela sua repercussão, ganham contornos simbólicos acerca da transformação dos valores ocorridos nos anos psicodélicos das décadas de 1960 e 1970.

Além do aspecto político, que por si só já marcaria a minissérie, Alan Moore, sempre na busca de uma visão mais realista, explora também a repercussão desses eventos sobre os personagens.

A motivação de cada um deles não se limita à busca de justiça ou vingança. A série desconstrói a estética dos super-heróis ao imaginar para esses personagens personalidades mais complexas e, por isso mesmo, mais humanas.

Grande parte do choque e sucesso de Watchmen decorre das taras, fraquezas, vícios, ilusões e limitações que caracterizam não só os personagens citados, mas outros como Ozymandias e Rorschach.

Por exemplo: o machismo e a misoginia estão presentes nos dramas da Espectral, uma mulher condenada pela aparencia fisica que a torna ,muitas vezes, mero objeto de desejo.

Os desenhos de Dave Gibbons prestam uma irônica homenagem à clássica estética dos quadrinhos norte-americanos de super-heróis, a forma aparentemente ingênua é parte de um discurso ácido sobre a natureza humana: poderes, sejam frutos de determinação ou de dádivas fantásticas, potencializam características do caráter dos personagens.



O grande desafio, o que explica a ansiedade que acompanha as notícias sobre as diversas tentativas de adaptar esta obra para o cinema nos últimos 20 anos, é justamente encontrar um ponto de equilíbrio narrativo para os debates éticos e morais que permeiam a obra de Moore e Gibbons.

E, quanta ironia, justamente por causa da política, os fãs de Watchmen se livraram de ver Arnold Schwarzenegger na telona como Dr. Manhattan.

Watchmen - O Filme ESTRÉIA HOJE nos cinemas!!!


(Artigo escrito por Fernando Viti - UniversoHQ)

Samuel L. Jackson fecha contrato para 9 Filmes da Marvel!


Em janeiro, Samuel L. Jackson deu uma entrevista dizendo que poderia ficar de fora dos próximos filmes da Marvel. Pois o estúdio entrou em acordo com o ator - e deve ter sido um baita cheque, porque Jackson assinou contrato para nove filmes interpretando o chefão da SHIELD, Nick Fury.

Portanto, depois de aparecer por alguns segundos após os créditos finais de Homem de Ferro, Jackson estará em Homem de Ferro 2, The First Avenger: Captain America, The Avengers, Thor e todas as continuações que vierem depois disso. Um filme da SHIELD também está sendo discutido. Sim, até em Asgard Sam Jackson vai mostrar a cara - pelo menos é o que diz a listagem de filmes do Hollywood Reporter.

Ainda que o formato de contrato a longo prazo esteja fora de moda em Hollywood há pelos menos 50 anos, aparentemente a Marvel está querendo garantir o elenco dos filmes que promovem seu crossover de heróis. Segundo o CHUD, foi por esse empecilho que Emily Blunt - que afinal está em curva ascendente na carreira - não ficou com o papel da Viúva Negra. Mais anúncios no formato de múltiplos filmes podem sair do Marvel Studios em breve.

Iron Man 2 estreia em 30 de abril de 2010, Thor em 16 de julho de 2010, The First Avenger: Captain America em 6 de maio de 2011 e The Avengers em 15 de julho de 2011.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Vilões Também Vão Ganhar Filme!


A Warner Bros. deve estar bem satisfeita de trabalhar com o produtor Dan Lin. Botou nas mãos dele uma das apostas altas do estúdio, Sherlock Holmes, e no começo de janeiro lhe passou a reinício da franquia Tomb Raider. Agora a Lin Pictures assume outro projeto: Suicide Squad, a adaptação das histórias do Esquadrão Suicida da DC Comics.

Outro nome recorrente no estúdio, Justin Marks (roteirista de He-Man, 20.000 Léguas, Hack/Slash, Arqueiro Verde...) será o responsável pelo roteiro. Surgido em 1959 e sucesso com sua série própria nos anos 80, o Esquadrão mostrava criminosos conhecidos do Universo DC assumindo missões que o governo dos EUA considerava perigosas demais para os super-heróis normais.

É basicamente a história clássica do condenado que faz o bem para diminuir sua pena, adaptada para os quadrinhos. Não está definido ainda quem integrará a equipe, formada por um panteão rotativo de malfeitores, no cinema.


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Divulgação de Watchmen segue forte!


Mesmo na reta final de sua divulgação, Watchmen ainda consegue surpreender os fãs. Os usuários do iPhone podem desfrutar de um game online que se passa no universo do filme. No jogo os participantes podem customizar a aparência e as habilidades de seus heróis.

Enquanto isso, o site os fãs que não possuem a engenhoca da Apples podem visitar o site 6 minutes to midnight, que oferece 10 minutos de um trailer interativo para aqueles que simplesmente escreverem seu nome no campo que está em aberto na página. O andamento do vídeo depende dos acertos do espectador nas perguntas que lhe são feitas.

Watchmen se passa em 1985, em uma América alternativa, onde super-heróis uniformizados são parte da sociedade e o Relógio do Juízo Final, que mede a tensão entre os EUA e a União Soviética, marca permanentemente cinco para meia-noite.

Quando um de seus antigos colegas é assassinado, Rorschach desvenda uma trama para matar e desacreditar todos os super-heróis, do passado e do presente. Conforme ele reencontra sua antiga legião de combatentes do crime – um grupo de heróis aposentados, onde apenas um possui de fato superpoderes – Rorschach vislumbra uma ampla e perturbadora conspiração relacionada ao passado deles e com conseqüências catastróficas para o futuro.

No elenco, estão Billy Crudup (Dr. Manhattan), Jackie Earle Haley (Rorschach), Malin Akerman (Espectral II), Matthew Goode (Ozymandias), Patrick Wilson (Coruja II), Jeffrey Dean Morgan (Comediante) e Carla Gugino (Espectral I).
O filme conta com Zack Snyder, de 300, na direção.
A estréia está marcada para o dia 6 de março (AMANHÃ!).


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quarta-feira, 4 de março de 2009

Produtores Comentam Futuro dos Super-Heróis no Cinema!



Na semana passada o site Omelete conversou com Lloyd Levin, Lawrence Gordon e Deborah Snyder, os produtores de Watchmen - O Filme. Durante 20 minutos discutiram as dificuldades da produção e se a adaptação da seminal graphic novel adulta, que revolucionou o gênero dos super-heróis nos quadrinhos, terá nas telonas o mesmo impacto que teve nas páginas impressas.

Levin, porém, não acredita que Watchmen terá essa relevância no cinema, pois ele acredita que a Sétima Arte já tem uma variedade maior de subgêneros baseados em quadrinhos. "Eu acho que antes de Watchmen já estamos vendo uma variedade enorme de filmes baseados em quadrinhos nas telas. Pense em Persépolis, por exemplo, ou filmes que estão em produção como Scott Pilgrim ou Umbrella Academy, que é insano. Acho que cada um desses amplia as fronteiras do gênero em diversas maneiras. Mas espero que Watchmen abra algumas portas, sim."

Para Deborah Snyder, um certo Homem Morcego já havia começado a mudar o cenário: "Watchmen descontrói o gênero. E depois que o gênero está desconstruído para onde se vai? Será interessante ver o que os cineastas farão com os filmes de super-heróis depois de Watchmen. Mas acho que antes do nosso filme, Batman - O Cavaleiro das Trevas já começou uma tendência".

É curioso notar como esses dois filmes refletem o momento dos quadrinhos em meados de 1980, quando Batman - O Cavaleiro das Trevas e Watchmen foram lançados com alguns meses de diferença e mudaram tudo. Mais especificamente, deram início a décadas de cópias ruins... um era de heróis "sombrios", mas vazios. Será que isso acontecerá no cinema?

"Eu tenho ouvido nos corredores em Hollywood executivos discutindo se o segredo para o sucesso de filmes de super-heróis é o tom sombrio. Para mim, essa é a lição errada. Ninguém está entendendo nada. Dizer que é o 'sombrio' que faz o sucesso, ou 'a continuação será mais sombria' virou um clichê. O Cavaleiro das Trevas tem uma história e temas complexos... não é só um filme sombrio", comenta Llevin.

Deborah Snyder é ainda mais cautelosa: "É realmente difícil saber. Será que o público realmente quer filmes mais sombrios, ou apenas filmes que tenham elementos com os quais ele possa se relacionar mais facilmente? Uma certa dose de realismo? Não sei".

Positivo ou negativo, o impacto de Watchmen será sentido no cinema a partir de 6 de março, quando o filme entrar em cartaz mundialmente.


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terça-feira, 3 de março de 2009

Joss Whedon Comenta Mulher-Maravilha e Heróis da DC!


Desde que o roteirista e diretor Joss Whedon deixou Wonder Woman - na mesma época em que a Warner Bros. comprou um roteiro distinto, paralelo ao de Whedon - o filme da Mulher-Maravilha não avançou mais. Em entrevista à revista Maxim, Whedon comentou o fracasso da empreitada.

E falou da dificuldade, em geral, que a DC tem para produzir filmes recentes com seus heróis: "O caso é que os heróis da DC são de uma era distinta. São de uma era em que se criavam deuses. E o que fez da Marvel algo tão extraordinário é que eles criavam pessoas - seus personagens não viviam em cidades míticas, mas em Nova York. Os personagens da DC, como Mulher-Maravilha, Superman ou Lanterna Verde, são afastados da humanidade. A exceção é Batman, que é enraizado na dor, tem características de um personagem da Marvel".

O problema com Mulher-Maravilha não foi tão filosófico. "Não faço ideia de qual seja o status do filme hoje, e, honestamente, nunca fiz. Disseram-me que eles [a WB] estavam muito ansiosos para fazê-lo. Escrevi o roteiro. Reescrevi a história. Na época em que escrevi o segundo roteiro, eles me pediram... para parar. Não me mandaram embora, mas me mostraram a porta. Eu estava lidando com eles por meio do [produtor] Joel Silver, que não conseguia me dizer o que eles queriam. Eu estava no escuro. Não consegui descobrir o que eles procuravam. Daí fui tocar minha vida", lembra.

Elogiado por sua passagem pelos quadrinhos dos X-Men, além ser mundialmente famoso pela série Buffy - A Caça-Vampiros, Whedon atualmente tenta fazer sua nova série de TV, Dollhouse, decolar.


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Marvel adia Data de Estréia de "Thor"!

Em seu relatório trimestral aos acionistas, a Marvel Entertainment atualizou a data de lançamento de Thor, filme que Kenneth Branagh dirigirá para a empresa.

A estreia era prevista para 4 de junho de 2010, mas foi adiada em pouco mais de um mês, passando para 16 de julho de 2010. A distribuição mundial é da Paramount Pictures.




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segunda-feira, 2 de março de 2009

Lanterna Verde e Jonah Hex Tem Data de Estréia!


Enquanto muita gente se acabava no esquindo-lelê por aqui, o pessoal da Warner Bros. trabalhava duro para fechar o calendário dos seus próximos anos. E tome novidades!

A maior delas é a data do filme do Lanterna Verde: 17 de dezembro de 2010. Além dele, outra adaptação de HQ também já teve sua estreia marcada: Jonah Hex, estrelada por Josh Brolin (Onde os Fracos não Têm Vez, Milk - A Voz da Igualdade), chega aos cinemas em 6 de agosto de 2010.

Enquanto a Warner não acerta um terceiro filme de Batman, o diretor Christoper Nolan dirigirá a ficção científica Inception, programada para 16 de julho de 2010. Assim como Zack Snyder (300), que após Watchmen, dirigirá Sucker Punch, previsto para 8 de outubro do ano seguinte.


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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Heath Ledger Ganha Oscar Por seu Desempenho como Coringa!


O falecido ator Heath Ledger ganhou um Oscar póstumo por sua performance como o Coringa no filme Batman - O Cavaleiro das Trevas.



Ledger foi representado por seu pai, Kim Ledger; sua mãe, Sally Bell; e sua irmã, Kate Ledger, que receberam o prêmio na categoria de Melhor Ator Coadjuvante. Durante os discursos curtos de agradecimentos, as câmeras mostram algumas atrizes e atores visivelmente emocionados (como Sean Penn, Brad Pitt, Robert Downey Jr.)

Batman - O Cavaleiro das Trevas foi relançado no cinema em alguns países em dezembro de 2008 e já quebrou a barreira de um bilhão de dólares arrecadados. O filme também foi premiado com o Oscar de melhor edição de som, um trabalho de Richard King.


Fonte: UniversoHQ


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Comediante de "Watchmen" vai Estrelar Outra Adaptação de HQ!


Anunciado em 2005, o filme que adapta a HQ The Losers pode ganhar o seu primeiro nome no elenco. Jeffrey Dean Morgan, o Comediante de Watchmen, negocia com a Warner Bros. para estrelar a produção.

Indicada em 2004 ao Eisner Awards na categoria melhor série nova, The Losers mostra um time de ex-operativos secretos da CIA que decide lutar contra a agência depois que sua antiga empregadora decide matá-los. Aparentemente, eles descobriram algo que não deviam saber durante uma operação ultra-secreta na Guerra do Golfo II. Foram, então, declarados mortos em ação e agora conseguiram os meios para a vingança.

A HQ da DC/Vertigo, escrita por Andy Diggle e desenhada por Jock, durou 32 números de 2003 e 2006. Akiva Goldsman (A Luta Pela Esperança) produz o filme, que tem roteiro de James Vanderbilt e direção de Sylvain White (Stomp the Yard).


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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Watchmen: {Primeiras Impressões}


O site Omelete assistiu, na íntegra, a Watchmen - O Filme, adaptação para as telas da graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons. Como sempre fazem com os filmes mais esperados da temporada, eles escrevem primeiro as suas impressões rápidas - escritas na saída do cinema e com maior teor de nerdice.
Aguardem a análise completa (feita por mim), que será publicada tãologo a estréia oficial nos cinemas.


(A partir daqui, confira o que o jornalista Érico Borgo achou do filme):

Direto e sem enrolação: com suas 2h36 (uma versão maior será lançada em home video), Watchmen é tudo o que eu esperava. Nem mais, nem menos - o que é ótimo, já que, com base em toda a extensa cobertura do Omelete (as nossas conversas com o cineasta Zack Snyder, notícias, artigos e a visita ao set) eu esperava um filme formidável e fidelíssimo à obra original. Creio que uns 90% da produção foram extraídos - diálogo e visual - diretamente das páginas impressas.

"Mas e os 10% restantes?", você deve estar se perguntando... Esses representam os atalhos criados para eliminar algumas tramas paralelas e dar mais relevância a determinados personagens, tudo perfeitamente integrado à história geral e extremamente satisfatório. Além do final, é, claro, que foi mesmo alterado. Sim, nada de lula gigante! Na lógica dos roteiristas Alex Tse e David Hayter, além do diretor, as explicações para a construção da invasão alienígena tirariam o foco da história, então todo o clímax foi reformulado. O resultado não só faz sentido como, atrevo-me a dizer, é tão bom quanto o do original.

Além do visual e da história fiéis, o filme tem um ritmo idêntico ao dos quadrinhos. E esse é justamente o ponto em que ele pode fracassar como produto. Os fãs, tenho certeza, ficarão satisfeitíssimos em sua esmagadora maioria. Mas quem não conhece a intrincada obra que revolucionou as HQs pode ficar confuso (espero estar enganado). É, afinal, um filme de super-heróis com ação apenas pontual, com um falatório contínuo e uma sofisticação que inexiste no gênero nas telonas. Muita gente que foi apresentada à obra ali, na sessão de imprensa, saiu da sala reclamando.

Será que o lançamento de Watchmen foi prematuro? Será que o mundo ainda precisaria se cansar do "filmão" de super-heróis antes que o cenário, que ainda está tão na moda, seja revisto? Nesse aspecto, o filme de Watchmen não trará nenhuma revolução. Mas para os fãs... É o filme que você esperou (ou não, se você é do time de Alan Moore) a vida toda para ver.

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A data oficial do lançamento é: 6 de março!


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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Produtor Fala Sobre Shazam, O Sombra e Doc Savage





O produtor de cinema Michael Uslan falou brevemente sobre a produção dos filmes dos personagens Sombra, Shazam e Doc Savage, numa entrevista ao site Newsarama.

Segundo Uslan, ao contrário dos rumores, um filme estrelado por Shazam (o Capitão Marvel da DC Comics) está nos seus planos. O produtor não quis dar mais detalhes sobre o assunto.

Shazam foi criado por C. C. Beck, em 1940 (para a editora Fawcett Comics). O personagem já participou de seriados no cinema e na TV (interpretado por Jackson Bostwick), e de desenhos animados.

O novo filme do Sombra está sendo desenvolvido pela Sony, com produção de Sam Raimi. O roteiro é de Siavash Farahani. Uslan descreveu o projeto como "fabuloso". Segundo ele, o personagem é mais uma força da natureza do que um homem com uma identidade secreta.

O enredo de The Shadow se baseia em elementos dos pulps, das aventuras de rádio do personagem e dos quadrinhos.

Walter B. Gibson criou o Sombra em 1930, para uma novela de rádio. O Sombra protagonizou vários filmes, o mais recente deles, em 1994, interpretado por Alec Baldwin.

Doc Savage não foi oficialmente anunciado, mas Uslan fez questão de mencionar o projeto e disse que o personagem foi uma grande influência na criação do Superman e outros super-heróis. Para Uslan, Doc Savage, o Homem de Bronze, é um personagem muito humano.

Savage foi criado como personagem dos pulps, por Lester Dent, em 1933. No cinema, o personagem foi interpretado por Ron Ely (o Tarzan da TV) num filme cafona.


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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Site da WB Fornece Possível Título do Próximo Superman!


O site /Film teve acesso ao site restrito da produtora Legendary Pictures (dos filmes de Batman e Superman) e conseguiu uma informação curiosa: o título e uma descrição breve do próximo filme do Homem de Aço.

Ainda que a Warner Bros. tenha dito que o longa reiniciará a franquia no cinema, a síntese de Superman Unleashed (Superman liberado, em tradução livre) trata o filme como uma continuação de O Retorno: "Aumentando a ação de seu estimado predecessor, a continuação de Superman - O Retorno promete subir os níveis e levar o público a alturas de ação que nenhum outro filme de super-herói pode alcançar".

Nada garante que a informação no site da produtora esteja atualizada. Trate, portanto, a informação com aquela boa desconfiança de sempre. O novo Superman ainda não tem data para começar.


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